segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Os maravilhosos filmes musicais dos anos 50




A década de 50 é marcada por filmes musicais maravilhosos. Foi na década de 1950 que os musicais hollywoodianos chegaram a seu ápice, com o lançamento de um dos filmes mais lembrados e comentados de todo o período clássico do cinema. Sim, estou falando de Cantando na Chuva (1952), onde Stanley Donnen e Gene Kelly conseguiram a proeza de reunir todas as características do cinema musical das décadas anteriores e realizar uma espécie de síntese de toda a essência do gênero. Tornou-se, anos depois, o filme mais popular desse gênero, considerado por muitos como a maior obra-prima do estilo - fato do qual não posso discordar, já que o filme é realmente maravilhoso e que faz parte da memória coletiva de milhões, devido à soberba qualidade da música, canto e dança.

Mas outros filmes também são inesquecíveis. Eis uma relação pela entrada de estreia, tendo sido colocados apenas os melhores. Deles comentarei alguns.

01-"The Tramp" -O Vagabundo (Raj Kapoor)................... 1951
02-"An American in Paris" -Sinfonia de Paris (Vincente Minnelli) 1951
03-"The Tales of Hoffmann" -Os Contos de Hoffman (Michael Powell) 1951
04-"Singin' in the Rain " -Cantando na Chuva (Stanley Donen) 1952
05-"Stars and Stripes Forever" (Henry Koster) 1952
06-Carnaval Atlântida (José Carlos Burle) 1952
07-"The Band Wagon " -A Roda da Fortuna (Vincente Minnelli) 1953
08-"Lili "- Lili (Charles Walters) 1953
09- "Gentlemen Prefer Blondes" -Os Homens Preferem as Louras (Howard Hawks) 1953
10-"Kiss Me Kate " -Dá-me um Beijo (George Sidney) 1953
11"Calamity Jane-"Ardida como Pimenta (David Butler) 1953
12-"Carmen Jones" (Otto Preminger) 1954
13-"Seven Brides for Seven Brothers" -Sete Noivas para Sete Irmãos (Stanley Donen) 1954
14-"A Star is Born " -Nasce uma Estrela (George Cukor) 1954
15-"Guys and Dolls "-Eles e Elas (Joseph L. Mankiewicz) 1955
16-"Oklahoma!" (Fred Zinnemann) 1955
17-"It's Always Fair Weather" - Dançando nas Nuvens (Stanley Donen) 1955
18-"Love Me or Leave Me "-Ama-me ou Esquece-me (Charles Vidor) 1955
19-"Lady and the Tramp -"A Dama e o Vagabundo (Clyde Geronimi) 1955
20-"French Cancan" (Jean Renoir) 1955
21-"Carousel " -Carrossel (Henry King) 1956
22-"The Court Jester " -O Bobo da Corte (Melvin Frank) 1956
23-O Rei e Eu (Walter Lang) 1956
24-"Silk Stockings" -Meias de Seda (Rouben Mamoulian) 1957
25-"Mother India" (Mehboob Khan) 1957
26-"Funny Face "-Cinderela em Paris (Stanley Donen) 1957
27-"Pyaasa" (Guru Dutt) 1957
28-"Damn Yankees! " -Parceiro de Satanás (George Abbott) 1958
29-"South Pacific " -Ao Sul do Pacífico (Joshua Logan) 1958
30-"Paper Flowers" (Guru Dutt) 1959
31-"Sleeping Beauty " -A Bela Adormecida (Clyde Geronimi) 1959
32-"Porgy e Bess" (Otto Preminger) 1959.

Os anos de 1950 foram os mais brilhantes e também os mais tristes dos anos para o musical de Hollywood. O gênero alcançou seu ápice, com dois musicais que ganharam o Oscar de Melhor Filme. Mas ao mesmo tempo, a televisão atraiu milhões de espectadores das salas de cinema e apressou o desfalecimento de alguns estúdios, os quais tiveram que fazer musicais apenas comerciais e com arte duvidosa.

Ao final da década, os grandes estúdios de Hollywood dispensaram a maioria de seus empregados, dentre as estrelas, os escritores e os diretores. Equipes de produção eram contratadas somente numa base de projeto a projeto. Sem talentos próprios da casa, os estúdios pararam de gerir seus próprios projetos e tornaram-se pouco mais do que empresas de distribuição, com as instalações de produção disponíveis para locação. O filme assim ficou nas mãos de produtores independentes. Isso deu oportunidade aos cineastas de maior liberdade criativa,tendo que trabalhar com baixo orçamento. Por outro lado, as equipes de produção, com experiências necessárias para desenvolver filmes musicais, tornaram-se coisas do passado. Como resultado, os poucos produtores que ainda filmaram musicais fizeram adaptação de obras originalmente criadas para o palco.

Uma série de musicais de Hollywood de 1950 foram feitos no barato, e os resultados podem ser considerados um tanto embaraçosos, pois alguns foram filmados diretamente do palco, como filme da peça teatral da Broadway. "Top Banana" (1953)de Phil Silvers foi filmado direto no palco do Winter Garden Theatre. O resultado pode ser um registro visual único de técnicas de período de estágio, mas é uma desculpa vergonhosa para um filme. As versões de tela de "Damn Yankees" (Warner 1958) e "Li'l Abner" (Paramount 1959 ) apesar da presença de estrelas é considerado os desastres de 50 .

Mesmo com o sistema de estúdios um tanto desabados, Hollywood conseguiu transformar uma série de musicais em filmes notáveis que foram espalhados entre os shows adaptados.

E assim , os estúdios Warner criaram uma série de cenas para Doris Day, a cantora que provou ser uma atriz de algum talento. Ela conseguiu sucesso em filmes como "Tea For Two" (1950) e "On Moonlight Bay" (1951) com um desempenho destacado ao cantar em "Calamity Jane" (1953). Aqueles que subestimaram a sua capacidade em atuar, ficaram fascinados quando interpretou Ruth Etting em "Love Me or Leave Me" (1955) e também a versão da Warner para "Pajama The Game" (1957).

A Paramount, por seu lado, apelou para o filme "White Christmas" (1954) tendo Bing Crosby e Danny Kaye como astros principais, e foi um filme aplaudido, cujo diretor, Michael Curtiz recebeu elogios , dando valor à música de Irving Berlin, embora tenha se realizado com cenários emprestados, mas conseguiram realizar o filme.

A Walt Disney produziu musicais como Cinderella (1950), Alice no País das Maravilhas (1951), Peter Pan (1953), A Dama e o Vagabundo(1955) e A Bela Adormecida (1959), e todos tiveram música fina de animação soberba.

Mas quaisquer que sejam o que os outros estúdios fizeram para dar a volta por cima, os melhores musicais ainda eram provenientes da Metro-Goldwyn-Mayer, e de lá saíram jóias de filmes musicais para os anos 50.


Entretanto, não se pode esquecer que os anos 50 foram marcados pelo rock de Elvis Presley e de muitos outros cantores do ramo do "rock in roll". Muitos artistas tiveram suas músicas consagradas e fazendo sucesso pelo mundo todo. Cantores como Roy Orbison, Frank Sinatra e Dean Martin, são lembrados até hoje por fãs das músicas dessa década que marcaram a história da música, do cinema e de diversas partes da cultura.

Além disso, deve-se ressaltar que tem a vez o cinema brasileiro com as chanchadas que marcaram os "musicais" do nosso país. Eles tomaram fama pelas paródias a filmes e atores de Hollywood que se tornaram mais frequentes na década de 50. São desse período as chanchadas bem elaboradas que se tornaram verdadeiras coqueluches, como Aviso aos Navegantes (1951), de Watson Macedo, Carnaval Atlântida (1952), de José Carlos Burle e mais os memoráveis A Dupla do Barulho (1953), Matar ou Correr (1954), paródia a Matar ou Morrer (High Noon, 1952, Fred Zinnemann), Nem Sansão, Nem Dalila (1954), paródia a Sansão e Dalila (Samson and Delilah, 1949, Cecil B. De Mille), De Vento em Popa (1957) e O Homem do Sputnik (1959), todos dirigidos por Carlos Manga.

Os anos 50 viram também, de novo assinalando porque é importante, as produções da Walt Disney com uma série de musicais animados que permanecem queridos até hoje. Cinderela (1950), Alice no País das Maravilhas (1951), Peter Pan (1953), A Dama e o Vagabundo (1955) e A Bela Adormecida (1959) todos tiveram bons escores, mas a animação bem elaborada foi a verdadeira chave para a popularidade desses filmes.

Mas a era dos filmes de 50, foi uma época de flores e espinhos para a indústria cinematográfica, como já foi falado aqui. Alguns fatos conturbaram bastante a sua movimentação. A década de 50 é marcada pelo acentuar das mudanças provocadas pela II Grande Guerra e revela-se propícia para o desenvolvimento de uma nova mentalidade cinematográfica. Se na Europa tentava-se reconstruir cinematografias com a ajuda do Estado, no outro lado do Atlântico a indústria cinematográfica enfrentava o Estado, no que diz respeito às investigações do Comité de Investigação de Atividades Anti-Americanas e na decisão do Supremo Tribunal ao obrigar os estúdios de Hollywood a desfazerem-se das suas salas de cinema.

A venda das salas de cinema que os estúdios possuíam levou-os a procurarem outras fontes de receitas e o aparecimento da televisão foi, ao mesmo tempo, uma bênção e uma terrível preocupação. Se por um lado, a televisão “roubou” espectadores às salas de cinema, também permitiu aos estúdios ganharem dinheiro com a venda de filmes para o pequeno ecrã e alguns aproveitaram as suas estruturas para produzirem conteúdos televisivos.

Alguns outros fatos aconteceram nesta década que seria bom lembrar, como por exemplo: sob o comando do produtor Arthur Freed, os musicais da Metro-Goldwyn-Mayer atingem o ponto alto durante a década; o Comitê de Investigação de Atividades Anti-Americanas continua as suas investigações contra alegados comunistas, usufruindo das denúncias de membros da comunidade cinematográfica sobre colegas; Maurice Chevalier (antes protagonistas de vários musicais) é proibido de entrar nos EUA devido a um suposto apoio a grupos comunistas; a cerimônia de atribuição do Oscar é transmitida pela primeira vez através da televisão.

A televisão foi uma bênção porque rendeu dinheiro aos estúdios , como aconteceu com a RKO que vende a sua coleção de filmes a canais de televisão e, nos anos seguintes, outros estúdios seguem o mesmo caminho.

Já em 1959, no final da década, aconteceu uma coisa muito boa: a Academia das Artes e Ciências Cinematográficas volta a permitir a nomeação de profissionais que estavam na lista negra do Comité de Investigação de Atividades Anti-Americanas.


Os filmes da década de 50. Apenas alguns!




Levic

16 comentários:

  1. Uma ótima década para os musicais, realmente. Mais maduros, mais ousados(para a época). Meus preferidos são os de Vincente Minnelli!

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  2. Cara Dra.Leda ! Fiquei encantado com as postagens sobre os MUSICAIS...Me trazem toda recordação da minha adolecência em Garanhuns, onde só tinha para entretimento esses filmes nas matinês do Cinema Jardim, o único da minha cidade. Naquela época, nas matinês, havia censura e era contumaz passar esse gênero de filmes. Gostaria de lembrar também o filme "O barco das Ilusões" um desfile de grandes astros americanos daquela era dourada. Parabéns pelo blog e para ele quero dizer que as maiores realizações não estão contidas na ciência e na tecnologia e sim na perfeição de sua arte.

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  3. Adoro os filmes!
    Os musicais é um dos meus gênero favorito!

    Belo Blog!!
    Beijos
    Elaine

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  4. Fico impressionada com a quantidade de informações aqui! Onde vc consegue tantas coisas?? Não tenho postado muito por falta de tempo, mas sempre que der eu posto algo legal! Beijos

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  5. Você se esqueceu de "Gigi" (1958) que foi simplesmente o grande vencedor do Oscar no ano seguinte, levando inclusive o prêmio de Melhor Filme...

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  6. Achei o seu blog de novo! Você nem sabe há quanto tempo procuro por ele!
    Por que você não volta a escrever? Um trabalho só sobre musicais é maravilhoso!
    Um abraço
    Dani
    www.telaprateada.blogspot.com

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  7. Cara que massa..nossa vc é sensacional..suas informaçoes sao tão preciosas..parabéns..tunca

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  8. Dançando na chuva com suas músicas maravilhosas jamais será esquecido. Outros musicais da era Liza Minelli tbém são ótimos, CABARET e outros deixam a turma da antiga de água nos olhos.

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  9. Gostaria de saber, uma vez eu vi um documetario que falava sobre os musicais, vc sabe o nome desse documentario?

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    1. Procure pelos nomes: Era uma vez em Hollywood Voluma I II e III, That's Dancing também é ótimo.No Era uma vez em Hollywood vc terá uma infinidade de cenas memoráveis.

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  10. Você pode encontrar muitos documentários excelentes com os colecionadores. Um deles é o Filmeantigo.com.br

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  11. A verdadeira essência do cinema é o filme musical. Era preciso saber dançar, cantar, interpretar, o que não era nada fácil. Sou muito apaixonada pela beleza do legado de Fred Astaire, que para mim, foi o mais elegante, perfeito e charmoso dançarino, coreógrafo e cantor que o cinema produziu. Eterno e imortal, Astaire ficará para sempre na memória dos amantes dos filmes musicais!

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  12. É a pura verdade, o filme musical, que muitos torcem o nariz, não era para qualquer um. Precisava ter múltiplos talentos para poder enfrentar e fazer um bom trabalho. Muitos filmes foram considerados ruins, porém, uma lista enorme de excelentes musicais ainda hoje encantam nossa vida.

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  13. Se alguém marcou o cinema com os filmes musicais, com certeza, o nome dele é Fred Astaire. Além de ensinar como um dançarino devia ser filmado, encantou as platéias com sua elegância, talento e charme. Fred era o preferido de muitos compositores, ele sabia interpretar as músicas com uma boa dicção, mesmo não tendo uma voz potente.

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    1. É verdade, ainda hoje ele é único. Me encanto com seus filmes, coisa mais linda!

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  14. Para mim, os melhores musicais são os Biográficos, que relam as dificuldades sentidas por grandes músicos no principio das suas carreiras. Obrigado a todos.

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