quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Nasce o filme musical




Em plena crise econômica que abalou o mundo (1929 - A Grande Depressão), Hollywood conseguiu driblar a situação apática em que vivia a indústria cinematográfica naquele momento. Era preciso surgir algo que pudesse motivar a freqüência do público ao cinema, algo que fosse realmente inovador e atraente.

Nesse período as novas tecnologias que introduziram o som aos filmes mudos, foram as técnicas que deram ao cinema uma nova vida, algo potente que o transformou em tudo o que conhecemos hoje. O som e a imagem num perfeito sincronismo tornaram possível o surgimento de um novo gênero, uma nova maneira de fazer filmes, de contar uma história. O gênero musical nasceu praticamente com a introdução da música no cinema.


Assim os musicais nasceram como consequência dos filmes falados. Após os primeiros trinta anos do cinema, aparece em 1927 o primeiro filme com trilha sonora gravada e sincronizada: "The Jazz Singer" (“O Cantor de Jazz), de Alan Crosland, o primeiro filme falado, era também o primeiro musical, lembrado até hoje pela célebre seqüência cantada por Al Jonson, que conta a história de um pretendente a cantor que sofre preconceito dos jazzistas tradicionais por ele ser branco. Originalmente produzido como filme mudo, o musical foi adaptado para tirar partido do sistema "Vitaphone" e estreou com algumas frases de diálogo antes de cada número musical. O filme revelou-se um verdadeiro sucesso e tornou-se num ponto de referência da história do cinema musical.



http://www.youtube.com/watch?v=FpjhEj9R_qU&feature=player_embedded

Os primeiros filmes sonoros musicais vieram diretamente do teatro musical, vinculados às adaptações de operetas que se prestavam muito bem para serem fotografados das peças de teatro. O primeiro estúdio com essa iniciativa com todas as canções da opereta na tela cheia foi o Warners com a direção de Roy Del Ruth que foi "The Desert Song" (1929) com algumas seqüências em Technicolor, que foi baseado na opereta do mesmo nome apresentada em 1927 , com música de Sigmund Romberg e Oscar Hammerstein II.

O filme foi estrelado por John Boles como o "Pimpernel-like Red Shadow" - o líder mascarado, um bonito bandido francês marroquino e a Rainha Carlotta como a heroína Margot . Myrna Loy também estrelou num papel como uma exótica nativa chamada Azuri. O filme foi produzido duas vezes a mais pela Warner Bros, em 1944 e 1953.

A primeira produção importante da RKO foi a fase de adaptação de "Rio Rita" (1929), um dos primeiros espetáculos de musical (filmado em preto e branco com uma seqüência Technicolor) . Estrelando Bebe Daniels como o personagem de caracteísticas latino-americanas e John Boles como Texas Ranger, que era uma adaptação do caro musical de Florenz Ziegfeld do teatro de 1927, um verdadeiro sucesso da Broadway. Duas de suas estrelas do show original, Bert Wheeler e Robert Woolsey, encontraram a fama mais tarde, já no início dos anos 30.

O melhor filme da MGM, uma comédia musical recebeu o título de "The Rogue Song" (1930) que foi outro musical adaptado da opereta de 1912 que é "Gypsy Love", estrelado por ex-barítono do Met, Lawrence Tibbett, no seu primeiro papel de cinema (indicado ao Oscar de Melhor Ator) como Yegor - o arrojado líder de uma banda chamada "The Robbing Larks. New Moon (1930), que foi refeito em 1940, com Jeanette MacDonald e Nelson Eddy, coestrelado com a diva do Metropolitan Opera a soprano Grace Moore. O filme de estreia de Moore foi na MGM no musical chamado "A Lady's Morals" (1930) interpretando Jenny Lind, o "Rouxinol Sueco".

Entretanto, dois filmes vão levantar vôo e mudar o conceito de musicais, ambos feitos em 1929 e ambos concorreram ao Oscar. Um deles é “Hollywood revue of 1929, produzido por Harry Rapf e Irving Thalberg, dirigido por Chuck Riesner para a Metro-Goldwyn-Mayer.

O filme reuniu alguns dos artistas mais populares da MGM para duas horas de projeção.E era um desfile de grandes estrelas, incluindo a estreante Joan Crawford,Conrad Nagel e Jack Benny( os dois mestres de cerimônias), Anita Page, Marie Dressler,William Haines, Buster Keaton e Marion Davies, mas resumia-se a esquetes isoladas de sapateados e canto.

A música é de Gus Edwards, com exceção de "Singing in the rain" com letra de Arthur Freed e música de Nacio Herb Brown. Os destaques do filme são as performances musicais (incluindo a estréia de "Singin 'in the Rain"), realizada inicialmente por Cliff Edwards ( "Ukelele Ike'") e posteriormente executada no final do filme por todos do elenco, além de apresentar uma rotina de comédia estreladas por Stan Laurel e Oliver Hardy como mágicos inaptos.

O filme foi bem aceito pelo público e recebeu indicações para o Oscar. Em 1930, os produtores da MGM quiseram fazer uma continuação para o filme intitulado "The March of Time", mas logo a MGM mudou de idéia, sendo assim abandonaram o projeto que já se encontrava em pré-produção.



http://www.youtube.com/watch?v=fUba07FwXSw&feature=player_embedded



http://www.youtube.com/watch?v=g9La1WCRo9w&feature=player_embedded

No entanto, o outro filme é que vai estabelecer de vez o musical como gênero. É a película "The Broadway Melody", que conta a história de uma corista que alcança o estrelato.O elenco consta de Charles King, Anita Page, Bessie Love, Jed Prouty, Kenneth Thomson.

Baseado na história de Edmund Goulding que conta a história das irmãs Queenie e Hank Mahoney, dupla de atrizes-dançarinas-cantoras em busca de um lugar nos musicais na Broadway. Já naquela época eram retratadas as artimanhas para se conseguir o tão procurado lugar ao sol...

Foi o primeiro filme falado a ganhar Oscar , e o primeiro musical completo com todas as falas feito em Hollywood. No mesmo ano concorreu aos prêmios de Melhor Atriz para Bessie Love (Hank Mahoney) e melhor diretor para Harry Beaumont. Ganhou como melhor filme, tendo concorrido com "Hollywood Revue of 1929".

O êxito dessa película provocou uma popularidade maior ao gênero e assim cada vez mais um número crescente de filmes foi invadindo o cinema. Este musical de 1929 tem muito mais pra dar ao público: mostra a estranheza que foi passar do cinema mudo ao falado, diálogos inspirados, personagens queridos, e claro, números musicais absolutamente fantásticos. “Broadway Melody" apresenta a canção clássica "Give My Regards to Broadway", de George M. Cohan, que também fez sua estréia neste filme.


The Broadway Melody - THE BROADWAY MELODY

http://www.dailymotion.com/video/x3iba8_the-broadway-melody-the-broadway-me_shortfilms#from=embed

São anos marcados para o musical-espetáculo. Na técnica, surge a possibilidade de realizar filmes sonoros e na linguagem, o espetáculo “ Show Boat'”(O Barco das Ilusões), de 1927 (teatro), revoluciona a narrativa do gênero musical, amarrando intrinsecamente as letras à trama e inovando nas temáticas abordadas (conflito racial, alcoolismo, vício em jogo, e tudo sem final-feliz).

Com música de Jerome Kern e letras de Hammerstein e P.G. Wodehouse, conta a história sobre os encontros e desencontros da vida que se passa nos anos 80 do século XIX, à volta de um barco a vapor que subia e descia o Mississipi, apresentando espetáculos nas povoações ribeirinhas, e que esses barcos eram chamados de “showboats”.

O filme foi estreado em 1936 com grande sucesso e inclusive até hoje ainda tem público. Em 1951, ganhou uma adaptação memorável para cinema, com Katarin Grayson, Ava Gardner e Howard Keel, e como também ganhou novas roupagens para apresentação em teatro, como uma peça no Paper Mill Playhouse em 1989 e uma outra elaboração na "Broadway Revival of Show Boat"em 1994.



http://www.youtube.com/watch?v=Y5owzfuvE2k&feature=player_embedded



http://www.youtube.com/watch?v=eh9WayN7R-s&feature=player_embedded

No Paper Mill Playhouse em 1989.


http://www.youtube.com/watch?v=2ZnxZxjSYN0&feature=player_embedded

"Broadway Revival of Show Boat"em 1994.


http://www.youtube.com/watch?v=zdkWyH7qGdE&feature=player_embedded

Imediatamente, os produtores enxergaram a possibilidade de se investir num novo gênero. Em apenas dois anos, já eram 80 títulos produzidos em musicais, e o número aumentou cada vez mais com o decorrer dos anos. Muitas das primeiras produções, no entanto, não são narrativas construídas através da música, e sim sobre a música, ou seja, muitas vezes composições já existentes e populares, eram aproveitadas para embalar o filme em seu sucesso. Já nesse estágio, é uma apropriação da indústria cultural por ela própria.

Esses primeiros filmes pareciam mais espetáculos filmados, pois não possuíam uma característica cinematográfica e somente nos anos 30, na responsabilidade de Busby Berkeley, que foi possível
vislumbrar novos movimentos de câmaras dando um aspecto mais dinâmico ao musical.

Alguns dos principais nomes na história do cinema musical entram em cena na década de 1930, como o diretor Busby Berkeley, que Hollywood trouxe da Broadway para injetar vida no gênero. Antes de sua chegada, os filmes resumiam-se a uma câmera estática registrando as coreografias em plano geral, quase como se estivesse no teatro. Berkeley fez uma pequena revolução, dando movimento à câmera e incrementando o uso de cenários.

Outros títulos, no entanto, são apresentações filmadas dos sucessos musicais da Broadway, como “Rio Rita” (1930). Apesar de rara, nos primeiros anos, este tipo de releitura transformara-se em pouco tempo no modelo de produção, completando um ciclo quase natural de sucesso na indústria cultural: obras literárias são adaptadas para peças, peças para musicais de palco, musicais para filmes. Nasce nesse momento o cinema musical-espetáculo.



http://www.youtube.com/watch?v=YY55wtSNTnc&feature=player_embedded


O mesmo filme na versão de 1940, com o ator Alan Ladd.


http://www.youtube.com/watch?v=G8wYUJgcCj0&feature=player_embedded

O filme produzido em 1933, "42nd Street", ocupa um lugar especial na história do cinema musical com a coreografia inovadora de Busby Berkley. Uma garota ingênua de olhos lacrimejantes, um espantoso tenor, estrelas e produtores em apuros financeiros...todos são habitantes da rua 42. A direção é de Lloyd Bacon e no elenco estão, entre outros, Gingers Rogers e Dick Powell.


http://www.youtube.com/watch?v=R0zrk_pPjf8&feature=player_embedded




http://www.youtube.com/watch?v=uBkE6TOmMEU&feature=player_embedded

Broadway revival


http://www.youtube.com/watch?v=P9dDFqn5rYI&feature=player_embedded

A partir desse ponto os filmes musicais serão produzidos cada vez mais.





Até breve.
Levic

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Os musicais e o cinema



O cinema sempre se preocupou em registrar os espetáculos teatrais, já conhecidos e aplaudidos pelo público.O fascínio pela chamada sétima arte passa indubitavelmente pela música que, lado a lado com os filmes, compõem a perfeita tradução da mágica do cinema.

Desde o início, manteve o projeto de reproduzir e distribuir outras formas de arte, direcionando-as para as massas, lógico que com um propósito comercial bem definido, aproveitando as novas tendências de aliar-se ao teatro musical para transformá-las em filmes musicais.

Alguns musicais foram, em primeiro lugar, peças teatrais musicadas (musical propriamente) para depois serem filmes, como é o caso da maioria dos filmes. Já outros foram filmes para depois tornarem-se musicais da Broadway, como exemplo "The Producers"(que antes recebeu o título de "Primavera para Hitler" e não era um filme musical) e também "Hairspray"que antes de ir para Broadway já estreara como filme.

O certo é que mesmo o cinema ainda sem som, em 1898, surge o filme pioneiro dos filmes musicais - “O Dançarino Mexicano”, o primeiro musical de que se tem notícia, promovendo um estilo de filme que avançou muito nos anos seguintes, encantando muita gente com sua maneira diferente de abordar os mais diversos temas.

O cinema é uma arte direcionada para as massas, embora movido pelo propósito comercial, mas que sempre teve a intenção de transportar para as telas o mesmo sucesso que o teatro musical fazia nos palcos, sendo que contava com grandes recursos da exploração da dimensão governada pela fantasia, o que lhe garantia o sucesso. E não é pouco dentro do universo do cinema fantasioso. A dimensão dos musicais tem uma lógica particular segundo a qual um personagem, no meio de uma cena dramática pode sair cantando e dançando para em seguida, ao final do número, retomar a ação como se nada tivesse ocorrido - e sem que ninguém, na tela ou fora, considere aquilo estranho.

Tendo em vista, então, a importância do cinema na divulgação dos musicais, que achei mais direto e oportuno abordar, antes de mais nada, os filmes musicais. Eles serão distribuidos por ordem cronológica e também pela sua importância, sucesso ou premiações.

Mas, quais dos filmes musicais que foram mais apreciados e reconhecidos como arte, desde o surgimento dos mesmos, a partir de 1920, até os dias de hoje? Muita gente já se aventurou em fazer uma lista dos melhores, mas eu encontrei no Youtube um vídeo extraido de uma lista do American Film Institute, que é uma beleza, mostrando os melhores 25 musicais de todos os tempos.



Agora é só assistir o vídeo que dá muita satisfação. Clique no link abaixo:
http://www.youtube.com/watch?v=pEBJSMJAZsk

Clique para ver maior.




http://www.youtube.com/watch?v=pEBJSMJAZsk&feature=player_embedded

E você, já pensou naqueles que poderiam ser os melhores? Vamos ver se no vídeo abaixo, o qual é uma beleza na sincronização da música com trechos dos filmes musicais, se a gente consegue identificar quais os filmes que estão sendo mostrados. É um verdadeiro teste de reconhecimento.


http://www.youtube.com/watch_popup?v=mz3CPzdCDws





http://www.youtube.com/watch?v=RHnloqBl5mw&feature=player_embedded


Levic

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Opereta versus Musical







Eu teimo em colocar observações sobre a tênue demarcação que existe entre ópera e opereta, opereta e musical, para que fique bem firme, não só para mim diante das indagações, mas também para os outros que possam ter dúvidas a respeito. O fato é que opereta foi um tempo, um tempo da história dedicada a ela e a ópera sobrevive, em termos clássicos, porque seus principais compositores foram de uma era clássica. Hoje as óperas modernas são caracterizadas como musicais, guardando as devidas proporções para os musicais de revista que se distanciam um pouco.

Minha proposta, então, é discorrer mais um pouco sobre as operetas que foram as raízes dos musicais.

Opereta é um espetáculo musical de estrutura semelhante à da ópera, cuja trama sentimental e romântica - e por vezes cômica - se desenvolve com música ligeira, e sobretudo de dança. As operetas de Offenbach, Messager e outros na França, bem como de Johann Strauss Fº, Lehár e seus seguidores em Viena, levaram, com o passar do tempo, à comédia musical e ao MUSICAL, à medida que compositores da Europa Central se dirigiram para o Novo Mundo.

Outro traço característico do gênero é o diálogo falado, como na "Opéra comique" francesa e no "Singspiel alemão", seus aliados precursores. Originou-se também de gêneros populares, como a "commedia dell'arte italiana" dos séculos XVI a XVIII e o "vaudeville" francês.

Como precursora da opereta satírica, pode ser citada a "Beggars' Opera" (1728, Ópera dos Mendigos), em que o poeta John Gay e o compositor John Christopher Pepusch parodiaram as grandiloquentes óperas de Häendel e ironizaram a alta sociedade inglesa de seu tempo.

A intenção satírica inspirou também Jacques Offenbach, o maior dos compositores de opereta. "Orphée aux enfers" (1858; Orfeu no inferno) e "La Belle Hélène" (1864; A bela Helena) são paródias bem feitas das graves óperas mitológicas de Gluck. Offenbach é também magnífico em suas obras originais, hoje raramente representadas, que parecem frívolas mas são muito sutis ao inverter a ordem natural dos acontecimentos, como "La Vie parisienne" (1866; Vida parisiense), "La Grande-duchesse de Gérolstein" (1867; A grã-duquesa de Gerolstein) e "La Princesse de Trébizonde" (1870; A princesa de Trebizonda). Offenbach utilizou lendas da mitologia grega para tecer comentários satíricos acerca dos costumes parisienses de seu tempo, em peças que são consideradas as mais brilhantes do gênero opereta.

A opereta francesa à maneira de Offenbach não sobreviveu à catástrofe do segundo império. Houve ainda grandes sucessos, mas poucos merecidos e permanentes. Subsistem, contudo, algumas obras, como" La Fille de madame Angot" (1872; A filha de madame Angot), de Alexandre-Charles Lecocq.

Melhores compositores de operetas surgiram em Viena, mas a opereta vienense é totalmente diferente da francesa, sua contemporânea. O elemento satírico e parodístico está ausente, sendo substituído por humorismo inofensivo e, às vezes, sentimental. Em vez do cancã dominam danças mais recatadas como a polca e, sobretudo, a valsa. Embora nenhum dos compositores vienenses se compare a Offenbach, Johann Strauss Filho, admirado pelo próprio Brahms, merece destaque.

Suas obras românticas e melódicas, como Die Fledermaus (1874; O morcego) e Der Zigeunerbaron (1885; O barão cigano), diluem as diferenças entre a ópera e a opereta e são hoje representadas mesmo em tradicionais casas de espetáculos.

Ao lado de Johann Strauss, obtiveram sucesso Franz von Suppé, autor de "Die schöne Galathee" (1865; A bela Galatea); Karl Millöcker, ao qual se deve "Der Bettelstudent" (1882; O estudante mendigo) e Karl Zeller, com "Der Vogelhändler "(1891; O vendedor de pássaros).

A opereta francesa foi imitada sem sucesso em vários países. Somente no Reino Unido, Arthur Seymour Sullivan e seu libretista William Schwenck Gilbert conseguiram fazer reviver algo do espírito satírico de Offenbach, em operetas como H. M. S. Pinafore (1878) e The Mikado (1885).

Seu grande sucesso não chegou a fundar uma tradição e os britânicos e americanos desenvolveram, em vez disso, um gênero autóctone - o MUSICAL - forma de teatro com música e dança já bastante distanciada da estrutura clássica operística, mas muito semelhante às estruturas atuais.

Os sucessos de Offenbach, Johann Strauss e Sullivan foram largamente superados pelos compositores vienenses do começo do século XX, quando a opereta constituiu na Áustria uma verdadeira indústria de exportação. O nome mais famoso dessa geração é Franz Lehár, cuja
peça "Die Lustige Witwe" (1905; A viúva alegre) bateu recordes de bilheteria no mundo inteiro.

Oscar Straus compôs Walzertraum (1907; Um sonho de valsa), e Leo Fall, Die Dollarprinzessin (1907; A princesa de dólares). Depois da primeira guerra mundial, a opereta foi definitivamente substituída pelo musical, sobretudo nos ESTADOS UNIDOS.

Assim, pretendo encerrar este assunto e falar dos musicais, referindo-me muitas vezes às próprias operetas que lhe deram origem , como por exemplo, A Viúva Alegre (opereta de Lehár) que veio para a Broadway e bateu recorde de bilheteria e apresentação, ganhando até mesmo de Cats.



Levic

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

A história de Tin Pan Alley





Na primeira publicação do blog, eu fiz uma referência a um lugar chamado "Tin Pan Alley", como o local da publicação americana da indústria da música.

Havia realmente uma Tin Pan Alley e que foi o centro de edição de música popular do mundo, de cerca de 1885 a 1920. Antes disso, porém, todos os editores importantes da música norte-americana foram espalhados por grande parte do país. Alguns estavam em Nova York, mas outros estavam em Chicago, Filadélfia, Cleveland, Cincinnati, Detroit, Boston e Baltimore. Todos esses editores cedo desempenharam papéis importantes na impressão e distribuição de partituras. A maioria dos editores de música também publicou música sacra, livros de ensino de música, peças e itens de estudo clássico para uso doméstico e escolar.

Após a Guerra Civil Americana, mais de 500.000 jovens queriam estudar estudar piano. Como resultado, a procura de partituras cresceu rapidamente e os editores cada vez mais começaram a entrar no mercado. Durante os últimos quinze anos do século 19, Nova Iorque começou a surgir como o centro de edição de música popular, porque estava se tornando um importante centro para o musical e artes cênicas. E era lá, portanto, que se encontravam as nova tendências e os gênios musicais. E assim, pela alta procura, uma nova geração de editores musicais surgiram rapidamente.

Entre os mais bem sucedidos estavam Thomas B. Harms (Harms, Inc. começou em 1881) e Isadore Witmark. Outros nomes que eram os atrativos do Beco foram, Irving Berlin, Inc. Shapiro, Berstein & Co., Remick Music Co., Robbins Music Corp, e EB Marks Music Company.

Estes visionários concentraram quase que exclusivamente na música popular, e a chave para seu sucesso foi o uso de pesquisas de mercado para selecionar a música e o uso de técnicas de marketing para vender o produto.Compositores que se estabeleceram comercialmente com os produtores de canções de sucesso foram contratados para ser parte do pessoal das casas de música. O mais bem sucedido deles, como Harry Von Tilzer e Irving Berlin, fundaram suas próprias editoras.

Embora fosse um mundo mais de homens, algumas mulheres lançaram-se no coração de Tin Pan Alley, como Dorothy Fields, Kay Swift, Dana Suesse, e Ann Ronell cuja obra prolífica refletiam nas suas canções espirituosas, urbanas e sofisticadas .
A foto é de Ann Ronell.


Os compositores eram direcionados para compor nesse ou naquele estilo, de acordo com a tendência de maior aceitação do público. Uma vez escrita uma canção, ela era testada com executantes e ouvintes para determinar quais as que seriam publicadas e quais iriam para o lixo. Uma vez que uma música fosse publicada, "pluggers song" (artistas que trabalhavam em lojas de música tocando os últimos lançamentos, semelhante ao que se faz hoje com um novo CD em uma loja de discos ) eram contratados para exibir o lançamento e artistas eram persuadidos a tocar as músicas novas em seus pianos, ou outros instrumentos, para fazer uma exposição ao público.


As casas de música em Manhattan eram lugares animados, com um fluxo constante de compositores, vaudeville e artistas da Broadway, músicos e "pluggers"de canção indo e vindo.Compositores chegavam para demonstrar as melodias que esperavam vender. Quando as músicas eram adquiridas de desconhecidos, sem batidas anteriores, o nome de alguém com a empresa era frequentemente adicionado como co-compositor, a fim de manter uma maior percentagem de direitos de dentro da empresa, ou todos os direitos sobre a canção, eram adquiridos a título definitivo de uma taxa fixa (incluindo direitos de colocar nome de outra pessoa sobre a folha de música como o compositor).

Até o final do século, uma série de editoras importantes tinham escritórios na rua 28 entre a 5 ª Avenida e da Broadway. Esta rua 28 tornou-se conhecido como "Tin Pan Alley". Justamente quem foi o primeiro a estabelecer-se na zona conhecida como Tin Pan Alley não se sabe ao certo.

A esquina da 5 ª Avenida e Ruas 28, em Nova York em 1900 era precisamente a área que passou a ser chamada de Tin Pan Alley, cujo nome é atribuído a um escritor de jornal chamado Monroe Rosenfeld, que durante a sua estada em Nova Iorque, cunhou o termo para simbolizar a cacofonia dos pianos sendo martelado nos quartos das editoras, que ele caracterizou como se centenas de pessoas estivessem batendo panelas de lata. Segundo a história, ele usou o termo em uma série de artigos que escreveu por volta da virada do século 20 e aí o nome pegou.

Nas duas primeiras décadas de sua existência, Tin Pan Alley produziu uma sucessão de canções, notáveis do ponto de vista comercial, à sua resistência na cultura americana. O potencial de mercado para as músicas era enorme, mesmo para os padrões de hoje. Charles K. Harris's depois de 1892 vendeu mais de cinco milhões de cópias! Um grande número de canções, a partir deste período, se tornou amplamente conhecida e são uma parte das tradições musicais até hoje.

Inicialmente Tin Pan Alley era especializada em baladas e canções melodramáticas, mas abraçou a novos estilos populares. Mais tarde, jazz e blues foram incorporados, embora não completamente, pois como Tin Pan Alley foi orientada para a produção de músicas que os cantores amadores, ou bandas de cidade pequena, pudessem realizar pela música impressa. Desde a improvisação,' notas azuis', e outras características do jazz e blues, não poderiam ser capturadas em notação impressa convencional e portanto não eram aceitas.

Canções como: No Good Old Summertime (1902), Give My Regards To Broadway (1904), Shine on Harvest Moon (1908,), Down by the Old Mill Stream (1910) e Let Me Call You Sweetheart (1910) ainda são cantadas hoje e suas melodias provavelmente poderiam ser reconhecidas facilmente ao redor do mundo.

Let Me Call You Sweetheart. Clique


No Good Old Summertime


Give My Regards To Broadway Clique


Down by the Old Mill Stream



A letra da música deste período sugere que o E.U.A. era um lugar tranqüilo, feliz e próspero. As muitas canções sobre o passado descrevem memórias mornas de momentos felizes e inocentes configurações de pequena cidade rural. A imagem persistente do "Gay Nineties" como um dos mais felizes e menos tempos conturbados da história americana, foi derivada em grande parte dessas músicas.

Independentemente dos momentos felizes que remontam à música, não podemos esquecer que a "Tin Pan Alley" não era sobre a paz e o amor e a felicidade que o norteavam, e sim era sobre a venda de músicas. Os tempos certamente tiveram sua quota de problemas e a vida não foi um mar de rosas mais do que agora. Não houve desejos altruístas por parte dos editores para resolver os problemas da sociedade, nem tampouco estavam tentando criar um mundo feliz. Eles estavam simplesmente na tentativa de criar e vender música às pessoas.

Seu método escolhido durante esse tempo foi o de proporcionar entretenimento musical que permitisse as pessoas fugirem da realidade das dificuldades da vida e dos problemas de sua própria situação.

Os compositores e letristas da época eram vítimas do sistema, tendo de encarar o fato de que a arte pela arte é um grau maravilhoso, mas a maioria dos compositores e editores deste período estavam mais interessados em alimentar-se do que de criar um corpo de arte, e tiveram que valorizar a arte versus um sucesso comercial. podemos dizer que foi o talento e a criatividade de músicos maravilhosos que fizeram o conceito de um espetáculo vivo. Mas não apenas isso. Pessoas simples como estes homens editores da virada do século, que amaram a música e viram que reproduzi-la para o entretenimento de outros podia ser fonte de entretenimento e dinheiro.

No final, nós devemos muito aos editores visionários e comerciantes de Tin Pan Alley. Sem o Harms Whitmark e Watterson's , o nosso mundo seria muito diferente, independentemente dos motivos de seu lucro. Os editores de Tin Pan Alley não só estabeleceram uma indústria que continua em grande tradição, mas eles também são responsáveis pela bela música que desfrutamos hoje. Eles merecem o nosso agradecimento e respeito.

Com o passar do tempo, o que resta de Tin Pan Alley já foi colocada à venda há alguns anos atrás e os edifícios serão ou já até foram destruídos(eu não sei) para dar lugar ao "progresso". Entretanto, a história fica. Tin Pan Alley, originalmente um lugar específico, em Nova York na 28th Street, entre Broadway e 5th Avenue, é uma rua histórica onde muitas editoras de música optaram por estabelecer-se em 1885. Tin Pan Alley foi uma época de composição de música popular americana.



Assim, a indústria fonográfica se desenvolveu rapidamente dando saída ao fluxo de discos musicais com gravações das principais músicas tocadas na Tin Pan Alley, ensejando colocá-las nos primeiros musicais da Broadway, pois estes no início davam prioridade às músicas já existentes e conhecidas pelo público, e somente mais tarde é que são criadas músicas especialmente para os musicais.

Levic

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

O ambiente da Broadway.



O teatro musical constitui um gênero muito apreciado no mundo inteiro, mas principalmente nos Estados Unidos ele tomou proporções de maior aceitação pelo público, tomando o nome de musicais. Este tipo de peças são exibidas em grandes salas criadas exclusivamente para esse efeito, como a Broadway Theatre, a zona mais prestigiada de todas. Mas existem mais de trinta teatros em Nova Iorque que tem assentos de quinhentos a dois mil lugares, reformados ou construidos com grande conforto e bom gosto.

De fato, há 39 teatros na Broadway na atualidade, que funcionam na cidade de Nova Iorque. Todos estão localizados no Distrito Teatral, o qual ocupa as ruas do meio de Manhattan. O distrito se estende para o lado oeste em frente à 8ª Avenida e a rua 45 para incluir o "Al Hirschfeld Theatre". Somente uma sala de teatro da Broadway, "Vivian Beaumont Theatre", está localizada fora do distrito. É a parte do "Lincoln Center for the Performing Arts", localizado a oeste da rua 65.

Muitos críticos do teatro musical dizem que alguns dos "Broadway Shows" são essencialmente grandes produções comerciais e nada de muito chocante, apenas feitos para colher aceitação generalizada. Dependendo da reação da crítica e do público podem permanecer até vários anos em exibição, como indicador do seu sucesso. Mas, na maioria das vezes, são ótimas produções, requerendo uma série de artistas e técnicos no gênero, com resultados de excepcional valor artístico.

Há também as peças e teatros "Off Broadway" e "Off Off Broadway", que mesmo não sendo exibidas no circuito Broadway podem até vir até ela. Geralmente são musicais mais satíricos, equivalentes ao que podemos chamar de ópera bufa, muito usada em Londres pela dupla Gilbert e Sullivan e, como já falamos atrás, foi grande precursora dos musicais. Entretanto, estes termos são mais aplicados ao tamanho do teatro mais do que à sua localização. Genericamente falando, as salas de teatro em Manhattan que tenham menos de 499 poltronas são consideradas “Off Broadway”. As salas de teatro que têm menos de 100 poltronas são denominadas geralmente de "Off Off Broadway". Os teatros Off e Off Off Broadway estão localizados em vários bairros de Manhattan.

Na verdade, o espectro de espetáculos que são apresentados na Broadway pode incluir peças de teatro, musicais e outros gêneros. As peças de teatros podem ser comédias, dramas, suspense e em alguns casos tragédias, como Shakespeare e outros trabalhos da Grécia Antiga. Estas tragédias são geralmente faladas, sem música. Mas, se a elas são agregadas canções, obtêm-se os musicais da Broadway. Os “Musicais com Texto” contam uma história, enquanto que uma “revista (revue)” é uma coleção de números musicais com uma estrutura livre. Ocasionalmente também se apresentam óperas e espetáculos de dança. A Liga de Teatros e Produtores Americanos adotou a marca "Live Broadway", em 1997, para identificar às produções genuinas da Broadway, o topo do entretenimento teatral ao vivo.

A Broadway tem sido considerada tradicionalmente como o mais alto nível do espetáculo teatral. Durante mais de um século, os teatros da Broadway tem sido o lugar mais disputado onde figuram os melhores autores, compositores e poetas dos Estados Unidos e de outros lugares, e de uma coleção de atores, cantores, bailarinos, diretores, desenhistas e coreógrafos famosos que dão vida a grandes peças e musicais.

Sem dúvida, a Broadway é o principal palco de musicais em todo o mundo e exporta grandes produções para vários outros lugares e países, como é o caso da cidade de São Paulo, aqui no Brasil, que é tida hoje como a grande cidade do país a exibir peças da Broadway, como as que vieram para cá, citando "O Fantasma da Ópera", "Miss Saigon", "Cats" (esta também veio para o Rio), "Os Miseráveis", e outras.

O fato é que os musicais da Broadway, já há alguns anos, exercem fascínio sobre os brasileiros que vão a Nova York, somente para asssistir a esse espetáculos. Há quem diga que em alta temporada, eles chegam a ocupar 40% dos lugares em determinadas apresentações. Isso despertou a atenção dos produtores e alguns desses espetáculos chegaram a ser trazidos para curtas temporadas no Brasil, em versões com cenários mais modestos e apenas alguns nomes do elenco original. E outras vezes, completamente adaptados, embora conservando as músicas e o enredo,como são os musicais apresentados pela dupla Botelho- Möeller.

Os espetáculos da Broadway também visitam anualmente 140 cidades dos Estados Unidos num circuito das melhores cidades. As suas produções são marcadas pelas suas inovações, e os musicais são belíssimos e também caríssimos, cujo ingresso aqui para nós é na base de um salário mínimo vigente ou até mais, dependendo da peça.

Entre os que podem ir até a Broadway, os grandes sucessos do momento são Aida e O Rei Leão. Quem pode ir, tem condições de comprar bilhetes mais baratos (guichê que vende ingressos com desconto, que fica bem no meio da Times Square e funciona à tarde, tendo às vezes uma fila longa) e desfrutar, no ambiente das principais ruas, os melhores musicais.

Agora apenas, para deixar água na boca, segue uma lista dos musicais em cartaz na Broadway, sobressaindo apenas os mais assistidos e de maior repercussão mundial pela crítica.

Teatro- Nome da peça

Ambassador Theatre - Chicago

Brooks Atkinson Theatre - Grease

Ethel Barrymore Theatre - Godspell

Bernard B. Jacobs Theatre - The Country Girl

Biltmore Theatre - To Be or Not To Be

Broadhurst Theatre - Equus

George Gershwin Theatre - Wicked

John Golden Theatre - Avenue Q

Helen Hayes Theatre - Xanadu

Imperial Theatre - Billy Elliot the Musical

Lunt-Fontanne Theatre - The Little Mermaid

Majestic Theatre - The Phantom of the Opera

Minskoff Theatre - The Lion King

Nederlander Theatre - Rent

New Amsterdam Theatre - Mary Poppins

Palace Theatre - Legally Blonde

Gerald Schoenfeld Theatre - A Chorus Line

Neil Simon Theatre - Hairspray

Vivian Beaumont Theatre - South Pacific
(at Lincoln Center)

Winter Garden Theatre - Mamma Mia!


Destes musicais, vários prêmios já lhes foram concedidos. Interessante que a indicação de musicais originais para o "Tony de Best Book of a Musical", são conferidos àqueles musicais que nunca foram montados anteriormente. Neste caso, os revues (revistas com músicas pré-existentes) sem enredo ou revivals (remontagem de uma peça) são inelegíveis.

A temporada anual da Broadway começa e termina no final da primavera com os Tony Awards® de cada ano. Geralmente existe um grupo de espetáculos que estréiam na primavera e no outono.

Alguns espectáculos que permaneceram muito tempo em cartaz tornaram-se imensamente famosos e percorreram o mundo com várias apresentações. É o caso de Oklahoma, Les Miserables, Cats, The Phantom of the Opera, e outros. Alguns deram também origem a filmes: West Side Story, The Sound of Music, My Fair Lady , Jesus Christ Superstar, e outros. Também pode acontecer de os musicais adaptarem histórias do cinema, como "The Colour Purple", e recentemente até os filmes de animação podem virar musicais, como " A Bela e a Fera" ou "O Rei Leão".

Enfim, este é o ambiente da Broadway com vários teatros e grande movimentação. E como os seus vários quarteirões transformaram-se em uma imensa área de pedestres, a confraternização depois dos shows e espetáculos continua no meio da rua, com a turma sentada em cadeirinhas dobráveis e mesas de bar tomando cerveja e batendo papo até tarde! Parece bom, não ?




Levic

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Broadway - o grande centro dos musicais



Desde o momento que eu fiz o post do meu blog "Resumo da Ópera", cujo título se dirigia à pergunta "Ópera ou Musical?", que fiquei achando o quanto seria bom, para mim e para quem tem interesse neste assunto, fazer uma revisão histórica do nascimento e desenvolvimento dos musicais, principalmente os da Broadway, lugar onde eles vão tomar um vulto maior. Os musicais são parentes próximos das óperas, sendo que estas têm uma origem mais elitizada, nascida da intelectualidade da Renascença.

Entretanto, os musicais tiveram suas sementes plantadas nos teatros musicais da Inglaterra e da França, que começaram a divulgar a opereta, a música dos cabarés e a música do "Vaudeville", como também se ocupavam com as sátiras denunciando problemas sociais.

Assim, em 1728 na Inglaterra, é representada um tipo de opereta bufa composta por John Gay para fazer frente ao monopólio musical que Häendel fazia na época. Neste musical, chamado de "The Beggar's Opera" (A Ópera do Mendigo), com arranjo musical de Johann Christoph Pepusch, Gay satirizava vários aspectos da sociedade dos mais poderosos, onde se incluia o grande compositor Häendel. Na época uma famosa figura foi centro de suas críticas, o político Sir Robert Walpole ( principal ministro de Jorge II até 1742, e o homem que lançou as bases do regime parlamentar britânico), onde a peça lançava comentários caricaturados, levando o público a muitos risos. Montagem de 1948, em Londres.


Sob o pretexto de ladrões e salteadores, que figuraram no seu musical, estava disfarçada uma sátira sobre a sociedade que, ao descrever o código moral de seus personagens, tinha em mente desmascarar a corrupção da classe dirigente.

A obra foi um sucesso estrondoso e acabou por forçar o compositor alemão Haendel a fechar o seu teatro. Mais que isso, impulsionou o movimento de sátira ou reação ao elitismo. Daí em diante, a opereta torna-se um gênero extremamente popular em Londres (onde ficou famosa pelo West End) e é exportado pelos imigrantes para Nova York (onde desde o início ocupa a Avenida Broadway).

São estas duas cidades, Nova York e Londres, que servem de berço ao gênero musical e onde até hoje estréiam os musicais de grande porte. Faz a ponte entre elas, por volta de 1870, uma dupla de ingleses que dita as bases do musical contemporâneo. William Gilbert e Arthur Sullivan que compuseram juntos várias peças, e sua grande inovação foi aliar música, letras e enredo num único conjunto. A narrativa não seria interrompida para uma canção, e sim a própria canção, pelas letras e pela melodia, ajudaria a carregar a narrativa. Gilbert & Sullivan e sua produção explorava ao máximo o potencial dos apelos extra-musicais.

É justamente através do teatro de dança musicado, extremamente popular que surge nos Estados Unidos um gênero de espetáculo que se firmará como principal produto de consumo da classe média emergente daquele país: o musical da Broadway.

Podemos resumir os musicais como sendo espetáculos que usam vários recursos para contar uma história e entreter o público. Eles podem ser vistos tanto no teatro como no cinema e geralmente apresentam histórias leves, mas em alguns musicais mais modernos o drama pode ser adotado com muita propriedade. Em alguns espetáculos a música é a própria narrativa, em outros a música interrompe a narrativa, e há ainda aqueles onde a história é cantada do princípio ao fim, como nas óperas.

Apesar de ser originário da Europa, o musical ganhou força mesmo foi nos Estados Unidos. O gênero se consolidou na década de 40, quando tomou conta da Broadway. Vários coreógrafos de balé passaram a trabalhar em musicais e muitos libretistas e compositores escreviam especialmente para o teatro musicado. Os intérpretes tiveram que exercer múltiplas funções, pois atuavam, cantavam e até dançavam. O público logo se apaixonou por esse estilo de espetáculo.

Os Estados Unidos são considerados o país dos musicais. Para todo turista que visita Nova York, assistir a um musical da Broadway é programa obrigatório. Vários espetáculos da Broadway permanecem em cartaz durante anos seguidos.

No início, o centro comercial da música popular em Nova York era uma pequena rua apelidada de "Tin Pan Alley" ("Viela das Panelas de Lata"), de onde saíram muitas músicas maravilhosas que nos encantam até hoje. A Broadway abrigava uma população composta de imigrantes de vários lugares em busca de uma forma de ganhar a vida, muitas vezes tocando algum instrumento e sempre em busca de uma oportunidade que lhe mostrasse um palco, não só para sobreviver, mas para obter o reconhecimento de seu talento como artista.

Hoje a Broadway é muito famosa pelos seus teatros que exibem superproduções de musicais, que muitas vezes ficam em cartaz durante vários anos. Atravessa a Times Square e é ponto de referência para 43 teatros que conformam o Circuito Broadway.

A partir deste início com os imigrantes europeus, vamos tentar delinear os primeiros movimentos dos musicais até chegar aos dias atuais, focalizando a região conhecida como Theatre Distric, Broadway e Times Square que são onde concentram os grandes espetáculos, e que durante todo o ano dezenas de produções são os seus acontecimentos, gerando uma excitação mágica de um musical memorável. Os musicais fazem parte do gênero mais apreciado e explorado, que são montados para serem inesquecíveis.

Mas também vamos focalizar, em primeiro lugar, o destaque em que os filmes musicais tomaram no mundo inteiro, onde Hollywood vai sugar na Broadway a sua inspiração. O que existe, na verdade, é um entroncamento entre cinema e teatro, pois algumas peças teatrais partiram de filmes musicais de sucesso, embora o contrário tenha sido mais frequente.

Enfim... teatro ou cinema, o assunto é o musical.


Broadway
Levic